A FORMA DE ARTE
O Circo de Bambu, Explicado
Como a Lune transformou postes, cestos e escadas em aparelho — e porque é que o bambu carrega todo o espetáculo.
Veja os bilhetes para Teh Dar na GetYourGuide ↗O bambu como cenário e aparelho ao mesmo tempo
A assinatura de um espetáculo da Lune é que o bambu faz tudo. É o cenário, o aparelho acrobático e o dispositivo narrativo, tudo ao mesmo tempo. Um conjunto de postes torna-se floresta, depois trampolim que lança um intérprete pelos ares; cestos tecidos transformam-se em cabanas, barcos e armadilhas de caça; escadas de bambu viram pontes e torres. Nada é desperdiçado ou meramente decorativo — cada vara de bambu em palco está lá para ser escalada, atirada, equilibrada ou transformada, o que confere ao circo essa qualidade inquieta e inventiva.
Circo enraizado numa cultura real
O que distingue este espetáculo de um simples espetáculo acrobático é que o material tem significado. Nas Terras Altas Centrais, o bambu constrói a casa, transporta a água e faz a música, pelo que construir toda uma atuação a partir dele liga o espetáculo diretamente à cultura que retrata. As acrobacias — trabalho de vara, vara aérea, contorcionismo, malabarismo — são genuinamente exigentes, mas leem-se como a vida física de uma aldeia, e não como proezas por si mesmas. A destreza circense e a narrativa são o mesmo gesto.
Os artistas
Muitos dos artistas de Teh Dar provêm de comunidades de minorias étnicas, e o espetáculo tem sido uma plataforma para esse talento. O vocabulário físico combina a formação circense contemporânea com movimentos inspirados na vida e nos rituais das terras altas, pelo que os corpos em palco carregam tanto disciplina como herança. Observando de perto, percebe-se a confiança que o trabalho com bambu exige — timing, equilíbrio e receção não perdoam —, o que faz parte do que confere à atuação essa carga de suspense e tensão numa sala tão intimista.
De onde vem o formulário
Teh Dar pertence a uma família de espetáculos de bambu que a Lune Production vem desenvolvendo desde o início da década de 2010 — À Ố Show, My Village, The Mist e outros — cada um aplicando a mesma linguagem de bambu e música ao vivo a um recanto diferente da vida vietnamita. Teh Dar é o capítulo das Terras Altas Centrais dessa família. Se o formato o cativa em Hoi An, os seus irmãos em Ho Chi Minh City e noutros locais merecem ser descobertos, porque cada um leva as mesmas ferramentas a um território novo.